Apesar dos pesares, FELIZ ANO NOVO!

Tinha me programado para escrever um texto diferente. A palavra diferente, neste contexto, quer dizer: pessimista. Mas, agora, tarde ensolarada e com sensação térmica de 40 e alguns graus, acabo de receber as fotos da comemoração de ano-novo e estou sorrindo muito delas.

As vejo,  gargalhando… chega a dor minha barriga. Na sala, meu pai grita: “Você está sorrindo ou chorando?”. Poderia ser os dois, mas estou apenas sorrindo mesmo.

Depois de tudo que o Brasil passou em 2016: a queda da primeira presidenta brasileira, o golpe (sim, golpe), a retirada de direitos e a guinada conservadora, a qual estamos presenciando; terminar esse ano, que foi “pauleira” assim, rodeado de amigos queridos me faz ainda ter esperança de que o jogo pode virar.

Prometi que não me referiria à situação atual. Sim, eu sei. Bem que eu tentei. Esforcei-me para escrever sobre as comidas típicas das ceias, das músicas tocadas nessas festas e até sobre a nova onda do karaokê nas festas de fim de ano. Porém, não consigo ignorar os recentes acontecimentos. No entanto, começar o ano com a família que a gente escolhe (me refiro aqui aos amigos e amigas) revigora a alma. Não havia melhor forma de entrar em 2017.

Com certeza, é assim que pensa a humanidade. E é assim que também pensaram Luiz Carlos Ruas e Isamara Filier. Reflito-me, enquanto sorriu ao ver alegria em meu rosto e de meus amigos nas fotos, que era para o Luiz Carlos Ruas, ambulante brutalmente assassinado dentro da estação do metrô Pedro II, no centro de São Paulo, estar neste momento também vendo as fotografias da comemoração de Réveillon com sua família.

Era também para Isamara Filier e seu filho, João Victor, e as outras dez pessoas assassinadas na tragédia de Réveillon em Campinas, estarem vendo as imagens da comemoração, comentando-as e rindo de fulano por ter saído com os olhos fechados, ou então por ciclano ter sido clicado com a boca aberta cheia de farofa de banana, bacon e passas… Entretanto, isso não ocorrerá.

Infelizmente, o ano 2016 não terminou bem. O assassinato de Índio, como Ruas era conhecido, simplesmente, por ter defendido a travesti Raissa, agredida  pelas mesmas mãos que o tirou a vida é lastimável. Aqui, mais uma vez, vemos a presença do ódio ao feminino.

Já 2017 não chegou bem . O tanto que as pautas por igualdade entre os gêneros tiveram visibilidade na mídia e na internet durante o tenebroso 2016, o tanto que o feminismo foi verbalizado pelos veículos de comunicação e, claro, pelas redes sociais (tivemos até uma “primavera feminista”), Madonna fechou o ano com “chave-de-ouro” ao discursar na premiação  A Mulher do Ano da Billboard… e, então, 2017 iniciar já com um crime de feminicídio é, no mínimo, doloroso.

 Para fechar o primeiro texto do ano, poderia desejar os mesmos clichês de sempre, todavia, acredito ser importante finalizá-lo com uma das mulheres que mais tem pensado e colaborado com direitos das mulheres brasileiras.

Aqui, uso as palavras da Debora Diniz, antropóloga e professora de Direito da Unb, em seu último texto no HuffPost Brasil, para desejar a todos os homens que assim como eu foram criados embaixo da “proteção” de uma família machista: “Homens, não sejam cúmplices do matador de ano-novo: se não suportam ver as mulheres livres e independentes em 2017, ao menos se silenciem. Deixem as mulheres em paz”.

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Autor: Salada Caesar

(1992- )

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