Ao persistirem os sintomas, o bom senso deverá ser consultado

Uma das melhores sensações que o homo sapiens pode sentir, além da sensação de barriga cheia, de alívio ao tirar os sapatos depois de um dia de correria no trabalho e pisar no chão descalço, a sensação de um banho frio depois de correr no parque, ou a sensação de assistir Friends deitado na cama com o ar-condicionado marcando 15° Celsius…é, sem dúvida, a sensação de amar alguém.

Mas, não é amar qualquer pessoas como nossa mãe, avó, irmão e afins. Digo amar uma pessoa que seja capaz de nos causar calafrios, tremedeira, gagueira… uma pessoa que seja capaz de fazer a gastrite voltar a dar sinal de vida, uma pessoa que nos faça ver beleza até no sertanejo universitário.

Quando criança, se menino, apaixona-se pela mãe, e se menina, apaixona-se pelo pai. Isso não sou eu quem digo e sim meu brother Sigmund Freud. Lembra do Édipo, o rei?? Na escola, sempre rola aquela paixãozinha… hoje ainda ouvi de uma prima, que é esse o “verdadeiro amor”. Meu analista tem dessas também… “Mas, indivíduo, como você pode ter tanta certeza que fulano é o ‘amor da sua vida’?”. “Ôôô… projeto de Lacan, você quer saber mais que eu, que sinto?”

Mas, desde a infância somos envenenados por desenhos animados e historinhas que nos dizem o tempo todo que temos de achar a nossa “alma-gêmea”. As meninas não são as únicas a serem entupidas por esse negócio que enriquece escritores de livros infantis e roteiristas de desenhos e filmes infantis. Nós, meninos, rapazes e homens também somos sitiados por esse mercado.

Não sejamos tão cruéis de culpar apenas essa gente criativa. Somos criados por adultos que, certamente, foram também criados por essa operação comercial, e que junta tudo que aprenderam com os desenhos animados, avós e com o que o padre, pastor, rabino falaram. Resumindo, somos criados para encontramos o “amor da nossa vida” para que possamos casarmos e vivermos “felizes para sempre”. SQN.

Até nossos romancistas e poetas são bem eficientes em nos fazer acreditar nessa falácia. Por exemplo, Victor Hugo, criador de Os Miseráveis e O Corcunda de Notre-Dame, nos deseja em seu poema chamado”Desejo” que: “[…] você sendo homem,/ Tenha uma boa mulher,/E que sendo mulher,/Tenha um bom homem/E que se amem hoje, amanhã e nos dias seguintes,/E quando estiverem exaustos e sorridentes,/Ainda haja amor para recomeçar”.

Sendo assim, somos ensinados a sermos feitos de trouxas. Porque os poetas, a Disney, nossos pais e os padres, pastores e rabinos se esqueceram (quero acreditar no erro humano) que a gente pode sim encontrar nossa “alma-gêmea”… só que… PAH! nossa “alma-gêmea”, o “grande amor de nossa vida” pode não estar tão a fim da gente, ou NEM UM POUCO a fim mesmo. E agora? o que faremos? Quem poderá nos defender? O analista? o psiquiatra? o Fluoxetina???

Não. Depois do baque, do susto, do choque de realidade… é com a gente mesmo. Por enquanto sou capaz de dizer apenas isso, pois quero aprender o que fazer quando a verdade vem à tona e nos dá vários tapas na nossa trouxa face.

De tudo isso, só posso afirmar que a ideia do copo meio cheio e veio vazio cabe neste momento. Tire o aprendizado possível que for dessa experiência. E, para mim, o mais importante é não guardar rancor do ex-futuro “grande amor da nossa vida”. Pois, assim como nós, ele/ela é um homo sapiens que também foi corrompido pela industria do “E viveram felizes para sempre”. Essas pessoas, antes de tudo, são seres humanos que também têm suas vontades e desejos… só que não nos inclui nessa viagem.

Assim, não caia nessa de cortar os pulsos. É preciso que nos desintoxicamos o mais rápido possível de tudo isso. E, infelizmente,  esse fato também é visto entre os homens gays, encantados pelo pozinho fake do “viveram felizes para sempre”. Logo, temos um grupo de amigos frustrados e lamentosos.

Sim, quem disse que viver seria fácil, né?! Mas, que sentir aqueles calafrios, tremedeira, gagueira e dor no estômago é bom… Ôô se é bom! Porém, ao sentir esses sintomas o desintoxicante de “príncipe/princesa encanto(a)” deve ser tomado imediatamente para que acidentes graves futuros possam ser evitados.

Imagem: Reprodução da internet

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Autor: Salada Caesar

(1992- )

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