Granja dos Estados Unidos do Brasil ou Granja Terra de Vera Cruz?

Estou com 24 anos e cinco meses de idade. Acabo de terminar a leitura de “A revolução dos bichos” de George Orwell. Alguns podem dizer: “Agora? Só agora?”. Mas, fazer o que… “Sim só agora”, eu diria.

Realmente, aos 24 anos de idade, depois de ter lido centenas (ou milhares??) de romances, poemas e livros pesados de teoria literária, teoria da comunicação, de ciência política, depois de ter lido Marx, Foucault, Judith Butler, Descartes, Platão, Stuart Hall etc.; só agora li esse simples livrinho de 112 páginas! Inadmissível, Cesar.

No entanto, ao mesmo tempo em eu que lia “A revolução dos bichos”, eu também lia os principais jornais brasileiros e do mundo. No caso do Brasil, nesta semana, foi pesado- como diria minha amiga Fernanda Garcia. Coloca pesado nisso, Fê!

A Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira, dia 26, a reforma trabalhista do Governo Michel Temer (PMDB). O projeto de lei que faz a maior alteração nas regras envolvendo patrões e empregados, em sete décadas, foi aprovado por 296 votos a favor e 177 contra.

Assisti, nesta manhã, ainda deitado; ao discurso feito pelo deputado federal Glauber Braga (PSOL-RJ) onde mostra o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM- RJ) anunciando um aviso pedido pelo presidente do TST, que não haveria greve na sexta-feira (28), ou seja, hoje.  Ao fundo, é possível ouvir alguns deputados identificáveis (pelo menos por mim) zombando do discurso do deputado carioca.

Vale lembrar também que o presidente da Câmara já se manifestou antes a favor da reforma trabalhista e da previdência, além dos cortes de gastos. Inclusive, o mesmo declarou, no início de março, que a Justiça do Trabalho “não deveria nem existir”.

Assisti à votação e me lembrei de que a Câmara dos Deputados também é chamada de “A Casa do Povo”. Porém, ao ver aquela cena eu só conseguia imaginar a casa onde Jones morava antes de os bichos da Granja do Solar fazer a revolução, onde (hoje?) habita o porco (literalmente) Napoleão. Aliás, eu vi Napoleão sentado naquela cadeira no centro, rodeado pelos seus nove cães e porcos cumprisses, inclusive o Garganta, seu “papagaio de ombro”.

No livro de Orwell publicado em 1945, há apenas um Napoleão. Eu diria que aqui no Brasil há vários. Dependendo da cena, o Napoleão muda de cara, mas só de cara mesmo, porque as atitudes são as mesmas. Na última quarta-feira, foi o deputado Rodrigo Maia, logo, logo será o senador e presidente do Senado Federal, Eunício Oliveira (PMDB –CE).

Porém, não tem como, o presidente Michel Temer, esse sim, é o Napoleão-mor da granja chamada, Brasil. Isso, claro, se ele não se inspirar no Napoleão de Orwell e quiser voltar ao nome antigo. No nosso caso, a nossa granja voltaria a se chamar Granja dos Estados Unidos do Brasil ou, indo um pouco além, Granja Terra de Vera Cruz.

Entretanto, “A revolução dos bichos” termina sem nenhuma surpresa. Os bichos assistem à sua autoridade planejando o futuro obscuro que os aguardam. O lema passa a ser “Todos os bichos são iguais. Alguns bichos são mais iguais que outros.” e “Trabalharei mais ainda!” e “O camarada Napoleão tem sempre razão”.

Quitéria, a égua, coitadinha, chegou à velhice com “os olhos atacados pela catarata”. Já havia passado dois anos para a pobre égua velha se aposentar, porém todos os seus direitos foram perdidos. Os animais velhos já não tinham mais seu pedaço de terra para passar os últimos dias de vida.

Não sei o que vocês acham, mas estou quase acreditando que vivemos realmente na Granja dos Bichos…ops… Granja do Solar…ops… errei de novo, na Granja dos Estados Unidos do Brasil. Ou vocês preferem Granja Terra de Vera Cruz?

Anúncios

Resoluções para 2017 e divagações

Início de ano sempre traz com ele aquelas listas inconvenientes de resoluções.  Qualquer coluna que se lê ou qualquer vlog que se assisti só se fala disso, diferentemente, dos noticiários que se dividem entre a crise nas penitenciárias, agora com a participação das Forças Armadas para controlar as rebeliões, e a morte do ministro Teori Zavaski. Já no Facebook… tá rolando cada teoria da conspiração, que vou te falar…

Eu, ser como qualquer outro, também entrei nessa de lista de resoluções e fiz a minha. Dentre várias promessas- que, claro, não cumprirei nem a metade- escrevi como primeira e mais necessária para 2017: escrever mais.

Por isso, criei este blog que vos “escreve”, para que assim eu me comprometa em escrever semanalmente pelo menos um textinho. Sim, eu sei que semana passada eu só postei um. Farei de tudo para ser mais rigoroso quanto a isso (mais rigoro que já sou comigo). PS1: detesto gente devagar, sonolenta e sem foco. Pronto falei!

Por isso, a lista é grande. Além de escrever semanalmente para o Salada Caesar, também escreverei um livro. Sim, um livro. Porém, será um livro reportagem, cujo projeto está quase pronto. Para quem não sabe o que é um livro-reportagem, é mais um de vários veículos de informação, de jornalismo surgido nos Estados Unidos e chamado pelas bandas de lá de Newjournalism. Indico “Olga” de Fernando Morais, “Rota 66” de Caco Bracellos e “Hiroshima” de John Hersey entre um alista imensa que existe.

Também está na lista de sonhos inalcançáveis, a promessa de ler mais jornais e assistir mais aos noticiários. Até mesmo estudo para isso, não é mesmo? Ano passado, com toda aquela reviravolta na política brasileira, vi que ler jornais e assisti-los estavam me deixando doente. Hoje, com a poeira um pouco mais baixa (nem tanto assim), me permito lê-los. Amo ler jornais, assistir aos telejornais e a ouvir rádio.

          O ano de 2017 tem apenas 22 dias e já li tanto, já assistir a vários filmes e documentários, já escrevi muito e já conheci tantas “coisas” maravilhosas.

Conheci uma banda espanhola chamada Belako. Formada por duas girls power e dois rapazes, Belako é simplesmente arrebatador. PS2: ouço há 5 dias seguidos.

Ah, outra banda “daora” é Cherry Glazerr. Formada em Los Angeles em 2012 pelos músicos Clementine Creevy, Tabor Allen e Sasami Ashworth. Indico “Told You I’d Be With the Guys” e “Had Ten Dollaz”.

        Antes de ontem, assisti a “Paris, Texas” de Wim Wenders e “Barry”, filme que narra a chegada em Nova York e a militância do jovem e, hoje, ex- presidente dos USA, Barack Obama. “Barry” foi dirigido por Vikram Ganhi e está disponível desde o dia 16 de dezembro na Netflix.

Por fim, preciso apresentar para o mundo um grupo de mulheres artistas e feministas que

paris_texas_poster
Imagem de Divulgação

questionam o papel feminino na arte e, claro, também na sociedade. Elas são conhecidas como Guerrilla Girls. Elas que são conhecidas por suas máscaras de gorilas. O uso da máscara tem o proposito de o foco estar sempre na causa e não nelas.

 

Termino esta crônica semanal toda estranha e bagunçada parabenizando todas as “women, trans-people, men and youth”- como bem lembrou Angela Davis– que participaram ontem (21) da Women’s March nos USA e ao redor do mundo. Vocês encheram nossos olhos, corações e timeline de esperança de um mundo melhor para todos. Obrigado!

PS3: ao assistir à cerimônia de posse do novo presidente americano, Donald J. Trump e a marcha das mulheres, terei mais uma resolução para 2017: ouvir mais às mulheres ao meu redor e levar em consideração o que elas dizem.

Imagem: Guerrilhas girls/ reprodução internet